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Neurocoaching: O cérebro e a ansiedade


O seu chefe comunica-lhe que precisa de reunir consigo a sós, daí a alguns dias.

O seu coração dispara. Este trimestre os seus objetivos estão muito aquém do esperado, apesar do seu trabalho e dedicação. Aquele mega projeto afinal está parado e arruinou os seus números.

O que será que ele quer?

A respiração acelera, sente falta de ar, o seu estômago deu um nó e aquela sensação de apreensão (ou mesmo medo) alastra-se rapidamente.

É oficial: A ANSIEDADE ESTÁ INSTALADA!

 

O que é a ansiedade?

A “central de alarme” do seu cérebro (a amígdala) detetou uma potencial ameaça ao seu status profissional e à sua estabilidade financeira, que atualmente interpretamos como os nossos passados interpretariam a aproximação de um leão feroz: run for your life!

São despoletados os mecanismos para o dotar das capacidades físicas necessárias para sobreviver (lutando ou fugindo, daí o nome de resposta fight-or-flight).

 Atualmente as ameaças são outras mas os mecanismos para lhes fazer face são os mesmos. O seu organismo reage como se tivesse que dar o sprint da sua vida para fugir de um animal selvagem ou enfrentá-lo e arriscar-se numa luta.

A libertação de cortisol (uma hormona de stress) provoca a aceleração do ritmo cardíaco, o aumento da tensão arterial e dos níveis de glicose e gorduras no sangue. Também suprime o sistema imunitário: a sua saúde está mesmo mais frágil. Os sistemas digestivo e reprodutor são preteridos (já que não são essenciais para a sobrevivência): as digestões  tornam-se difíceis (ou páram!) e não lhe apetece mesmo nada ter uma noite romântica com a sua cara-metade.

O objetivo? Disponibilizar energia extra necessária a uma reação muscular enérgica, decisiva para aumentar as hipóteses de sobrevivência.

A libertação de adrenalina e noradrenalina no cérebro visa facilitar a reação física imediata: está na iminência de uma atividade muscular violenta.

 

Tem dificuldade em concentrar-se no trabalho…

Passou o resto do dia com a sensação de que havia sempre alguém a observá-lo como se soubesse o que se avizinhava para si, por isso está em estado de alerta máximo! Monitoriza o ambiente incessantemente em busca de ameaças que parecem surgir a todo o momento e de qualquer direção.

A sua amígdala está hiper-sensível e hiper-reativa. O perigo espreita de todos os lados e isso faz com que a sua cabeça dispare antecipando todos os possíveis cenários adversos.

Raciocinar com clareza é uma missão desafiante: os seus recursos cognitivos são bloqueados. Afinal de contas, não é para pensar! É para fugir ou lutar!  As funções mentais mais complexas são “recentes” em termos evolucionários e por isso, mais lentas.

Os dias até à reunião foram um verdadeiro inferno!

 

Esteve em estado de ansiedade permanente! E a resposta fight-or-flight deveria ser temporária: a sua ativação contínua é altamente nociva para a saúde. O seu cérebro focou-se num estado de vigilância constante em busca de potenciais ameaças (reais ou imaginárias!).

 

Chega o dia da reunião com o seu chefe. O cansaço e o desgaste têm sido brutais.

A princípio nem consegue compreendê-lo. Faz um esforço para se focar e… Afinal o seu chefe está preocupado consigo e com o seu nível de motivação por causa do volte-face naquele projeto tão importante! Até se disponibilizou para ajudar a desbloqueá-lo!

Que dias infernais! E afinal tudo se passou apenas na sua cabeça!

 

Como poderia ter evitado todo este desgaste desnecessário?

 

A utilização de TÉCNICAS DE RELAXAMENTO ajudam-no a abreviar um estado de ansiedade que já se instalou ou a mitigá-lo se o detetar enquanto está a formar-se.

 

   #1. Respiração Consciente

Inspire durante 4 segundos e sustenha a respiração durante 4 segundos.

Expire durante 4 segundos e sustenha a respiração durante 4 segundos.

Foque-se na sensação de respirar de forma consciente. Repita o tempo que for necessário até se sentir mais relaxado.

 

#2. Visualização

Imagine que está num ambiente relaxante e detalhe a sua visualização o mais possível.

Se estiver numa praia, procure sentir se está calor, se há huvens no céu, se o mar está calmo ou revolto, etc.

Objetivo: focar o cérebro na definição desses detalhes e afastar a sua mente dos motivos que despoletaram a ansiedade.

 

   #3. Música

Ouvir música relaxante ajudará a afastar a sua mente da ansiedade, estimulando um fluxo mais equilibrado de pensamentos construtivos e promovendo descontração e bem-estar.

 

#4. Exercício

Tem um efeito semelhante ao da música mas com benefícios neurológicos: as endorfinas libertadas no cérebro durante o exercício farão com que se sinta mais feliz, ajudando a conter a ansiedade.

 

   #5. Meditação

Ajudam a estar de forma mindful no momento presente, a acalmar a mente e a desmobilizar os pensamentos errantes que levam à ansiedade e ao stress.

 

 

Muito importante: Mude a forma como vive os seus triggers de ansiedade!

#1. Questione os pensamentos de ansiedade

Que outro objetivo poderá ter esta convocatória do seu chefe?

De que outra forma poderia ver esta situação?

Que perspetiva diferente poderia mudar a forma como se está a sentir?

 

 

#2. Aceite o potencial resultado positivo

Não é verdade que esta convocatória pode ter um significado completamente diferente do que está a supor?

Não será possível que o seu chefe esteja a convocá-lo para o apreciar pela sua dedicação naquele projeto importante?

 

 

A ansiedade é uma resposta humana natural. Não se foque em suprimi-la: isso será impossível!

O “segredo” é aprender a geri-la de forma mais eficaz!

 

 

 

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